Formas de resistir: religiosas em tempos de ditadura militar no Brasil

“Política é coisa do PT”2. Esta exclamação, incitada como reação ao crescente interesse demonstrado por postulantes da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, em formação no fim da década de 1980, é bastante representativa dos discursos que circundam a vida religiosa feminina. Estes dizem...

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Detalles Bibliográficos
Autor principal: Jaques Cubas, Caroline
Formato: Parte de libro
Lenguaje:Portugués
Publicado: Pontificia Universidad Católica Argentina. Instituto de Investigaciones de la Facultad de Ciencias Sociales 2024
Materias:
Acceso en línea:https://repositorio.uca.edu.ar/handle/123456789/19145
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Sumario:“Política é coisa do PT”2. Esta exclamação, incitada como reação ao crescente interesse demonstrado por postulantes da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, em formação no fim da década de 1980, é bastante representativa dos discursos que circundam a vida religiosa feminina. Estes dizem respeito a uma certa incompatibilidade entre a consagração da vida à religião e a atenção aos problemas políticos que conformam a sociedade. Isso porque a vida religiosa – e particularmente, a vida religiosa feminina – foi durante muito tempo compreendida como um afastamento, uma fuga do mundo. Tal visão - bastante romântica, é preciso dizer - tem por base um modelo de vida religiosa que, se outrora fora majoritário, há muito deixou de ser. Este modelo romântico, acima indicado, passou por intensas transformações. Já na primeira metade do século XX, por exemplo, é possível observar no Brasil congregações religiosas femininas voltadas ao trabalho social3. Além disso, é preciso considerar o direcionamento proposto para a vida religiosa a partir do Concílio Vaticano II. Neste sentido, conscientes de que estas mudanças precisam ser pensadas em uma escala temporal ampla, a qual possibilita a observação de diferenças e divergências concernentes à Vida Religiosa Feminina (VRF), podemos afirmar que tais transformações foram absolutamente intensificadas a partir de fins dos anos 50. Ainda que a irmã formadora referenciada acima, em fins dos anos 1980 tenha afirmado efusivamente que política é coisa do PT, nos anos 1960 a política foi absolutamente presente em ideários e ações que perpassavam a vida religiosa.