Discurso e sujeito falante: exclusôes sassurianas?

A proposta epistemológica de Ferdinand de Saussure foi, por algum tempo e por algumas leituras, acusada de afastar alguns temas de seu bojo. Assinala Silveira (2003: 22), “a crítica ao Estruturalismo-e, conseqüentemente, ao seu fundador Saussure, conhecido através do CLG– incidiu sobre as chama...

Descripción completa

Guardado en:
Detalles Bibliográficos
Autor principal: Karen Alves da Silva
Formato: Trabajo revisado (Peer-reviewed)
Lenguaje:Portugués
Publicado: Jornadas de Jóvenes Lingüistas 2018
Acceso en línea:http://eventosacademicos.filo.uba.ar/index.php/JLL/I-JJL/paper/view/1757
https://repositoriouba.sisbi.uba.ar/gsdl/cgi-bin/library.cgi?a=d&c=jll&d=1757_oai
Aporte de:
Descripción
Sumario:A proposta epistemológica de Ferdinand de Saussure foi, por algum tempo e por algumas leituras, acusada de afastar alguns temas de seu bojo. Assinala Silveira (2003: 22), “a crítica ao Estruturalismo-e, conseqüentemente, ao seu fundador Saussure, conhecido através do CLG– incidiu sobre as chamadas exclusões saussureanas. A saber: a exclusão do referente, da história e do sujeito falante”. Nesse rol de supostas exclusões podemos incluir a problemática do discurso. Na epistemologia saussuriana, a preocupação residia em analisar estritamente a língua e, desse modo, as questões concernentes ao uso e, conseqüentemente, ao discurso não estariam abarcadas. Procuramos, nesse trabalho, questionar a efetividade da suposta exclusão das noções de discurso e de sujeito falante no trabalho de Ferdinand de Saussure. Para tanto, devemos iniciar a nossa tarefa pela mais famosa exclusão saussuriana, a saber, a fala, para então reencontrarmos o discurso e o sujeito falante. Segundo Saussure, o interesse do lingüista não poderia ser dirigido para a fala porque ela pertence ao âmbito do indivíduo. Desse modo, o único objeto científico possível de ser analisado pelo lingüista era a língua, já que é passível de observação cientifica por ter sua ordem própria. A língua então foi designada para posição de objeto da lingüística enquanto “um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções, necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (Saussure, 2001 [1916]: 17). Diz De Lemos (s/d: 02) que essa dicotomia entre língua e fala se fez necessária, pois é por ela que “a lingüística é inaugurada ao definir seu objeto, ao separar a língua da fala, separação essa que veio a ser traduzida como fronteira entre o analisável e o não-analisável e que, por sua vez, passou a incidir sobre o normal e o patológico, o adulto e a criança”. Entretanto, mesmo que tenha sido necessária, a dicotomia língua e fala para que os estudos científicos da lingüística pudessem caminhar, diante da complexidade do fenômeno lingüístico nem sempre podemos estabelecer fronteiras tão estanques quanto, aparentemente, se criou entre esses dois universos.