A avaliação da CAPES: Uma análise sobre sofrimento, produção intelectual e neoliberalismo nos discursos dos docentes de pós-graduação da universidade federal do maranhão

Trata-se de um estudo com enfoque qualitativo sobre os docentes de seis cursos que integram os Programas de Pós-graduação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em São Luís. A análise resulta de uma tarefa investigativa sobre os impactos da Reforma Educativa implantada pelo Ministério da Educaçã...

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Autores principales: Ordoñez, Cecilia, Souza, Antônio Paulino de, Jesús, Claudia Maria Santos de
Formato: Artículo revista
Lenguaje:Portugués
Publicado: Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires. Facultad de Ciencias Humanas. Núcleo de Estudios Educacionales y Sociales (NEES) 2014
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Acceso en línea:http://www.ridaa.unicen.edu.ar/xmlui/handle/123456789/81
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Sumario:Trata-se de um estudo com enfoque qualitativo sobre os docentes de seis cursos que integram os Programas de Pós-graduação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em São Luís. A análise resulta de uma tarefa investigativa sobre os impactos da Reforma Educativa implantada pelo Ministério da Educação nas universidades nos anos 90, percebendo como essa Reforma chegou à universidade transposta na tríade: ensino, pesquisa e extensão e que é fortalecida pelo modelo de avaliação docente realizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) que a partir dos anos 90 enfatiza a pesquisa em detrimento do ensino, com critérios que exigem cada vez mais o desempenho individual do docente no âmbito da produtividade. O modelo de avaliação docente no Brasil está organizado sob influências dos interesses políticos, econômicos e históricos que constituem os programas de pós-graduação em todo o país. As exigências sobre a produção intelectual do docente se justificam no discurso oficial pelas transformações ocorridas no mundo, de seus avanços tecnológicos e na necessidade de adequação ao mundo do trabalho e nesse bojo, a categoria trabalho/trabalho docente, no sentido ontológico também se modificou para atender a sociedade capitalista. O docente é avaliado de acordo com critérios de desempenho em sala de aula, orientações, carga horária cumprida no período, publicações e outros indicadores, cuja pontuação faz parte do mecanismo de sua progressão funcional, há ainda, a avaliação interna que culmina em credenciamento ou recredenciamento dos docentes nos programas. A CAPES estabelece que o docente, para se enquadrar como docente permanente deve desenvolver atividades de ensino na pós-graduação e/ou graduação; participar de projeto de pesquisa do programa e orientar alunos de mestrado ou doutorado do programa, sendo devidamente credenciado para esse fim pela instância responsável da mesma instituição. Nesse contexto, o tempo, como aspecto que caminha juntamente com a qualidade do trabalho docente, indispensável ao processo de reflexão e amadurecimento do pensamento, é um elemento negado ao docente da pós-graduação, o que implica na transfiguração reflexiva da própria atividade docente para satisfazer o sistema promotor de sofrimento, uma vez que, atribui-se ao docente a responsabilidade pela qualidade do programa, nessa perspectiva, o objetivo da avaliação docente é a regulação e o controle e não a emancipação. O trabalho é fundamentado à luz do pensamento de Arendt (1992), Bianchetti (2007), Cunha (1974), Oliveira (2009), Mancebo (2008), Fonseca (2001), Marx (2006), Nascimento (2010), Bourdieu; Passeron (1975), Sguissardi (2010), CAPES (2004), dentre outros autores e documentos. Pesquisa realizada no ano de 2013 com docentes das seguintes áreas: Ciências Sociais, Educação, Economia, História e Psicologia. Os resultados da pesquisa revelam que, o modelo de avaliação da CAPES, sua organização e critérios avaliativos provocaram um grande impacto na atividade docente, esvaziou-se o caráter qualitativo, reflexivo, criativo e prazeroso da atividade docente em prol das exigências predominantemente quantitativas do produzir, assim, à medida em que atende aos critérios da CAPES para permanecer na docência da pós-graduação, atende também, ao sistema neoliberal, pois a produção intelectual do docente, ainda que associado ao sofrimento acaba contribuindo com a lógica do capital por se integralizar ao habitus do docente, o que faz do seu trabalho uma peça essencial para a manutenção da exploração e do crescimento da lucratividade exigida dele.